Exercício físico faz bem para o cérebro?

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Quando pensamos nos benefícios da atividade física, normalmente lembramos do coração, do controle do peso e da prevenção de doenças crônicas.

Entretanto,  uma das maiores revisões científicas já publicadas sobre o tema mostra que os efeitos positivos vão além do corpo: o exercício também pode beneficiar o cérebro, contribuindo para melhorar a memória, a atenção, o raciocínio e outras funções cognitivas importantes para o dia a dia.

A pesquisa reuniu resultados de 133 revisões sistemáticas, incluindo 2.724 estudos clínicos e mais de 258 mil participantes, tornando-se uma das análises mais abrangentes sobre exercício físico e saúde cerebral.

O que acontece no cérebro quando nos exercitamos?

Durante a atividade física, o organismo passa por diversas adaptações que não beneficiam apenas músculos e coração.

Segundo os pesquisadores, o exercício está associado a mecanismos que favorecem o funcionamento cerebral, como:

  • aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro;
  • estímulo à produção de substâncias relacionadas à comunicação entre os neurônios;
  • fortalecimento das conexões entre as células nervosas;
  • maior capacidade de adaptação do cérebro (neuroplasticidade);
  • redução de processos inflamatórios relacionados ao envelhecimento cerebral.

Essas mudanças ajudam o cérebro a funcionar de maneira mais eficiente e podem contribuir para preservar suas funções ao longo da vida.

Quais funções do cérebro podem melhorar?

A revisão encontrou benefícios em três áreas principais.

Memória

A memória permite armazenar e recuperar informações importantes do cotidiano, como lembrar compromissos, nomes, conversas e conteúdos aprendidos.

Os estudos mostram que pessoas fisicamente ativas tendem a apresentar melhor desempenho nessa habilidade.

Atenção, concentração e organização

Os pesquisadores também observaram melhora nas chamadas funções executivas.

Embora esse seja um termo técnico, ele se refere a capacidades presentes em praticamente todas as atividades diárias, como:

  • manter o foco;
  • organizar tarefas;
  • planejar atividades;
  • resolver problemas;
  • controlar impulsos;
  • tomar decisões.

Essas habilidades são fundamentais para o desempenho no trabalho, nos estudos e na rotina.

Cognição global

A cognição engloba o conjunto das funções que permitem compreender o ambiente, aprender novas informações, pensar, raciocinar e interagir com o mundo.

De forma geral, o estudo demonstrou que o exercício físico contribui para melhorar esse funcionamento global do cérebro.

Os benefícios acontecem em qualquer idade?

Sim.

Uma das descobertas mais importantes da revisão foi que os efeitos positivos foram observados em diferentes fases da vida:

  • crianças;
  • adolescentes;
  • adultos;
  • idosos.

Também foram identificados benefícios em pessoas com diferentes condições de saúde, incluindo indivíduos com comprometimento cognitivo, doenças neurológicas e outras doenças crônicas.

Crianças e adolescentes podem se beneficiar ainda mais

Os pesquisadores observaram que os maiores ganhos em memória e funções executivas ocorreram entre crianças e adolescentes.

Isso reforça a importância da prática regular de atividades físicas durante a infância e a adolescência, fases em que o cérebro ainda está em intenso desenvolvimento.

É preciso fazer exercícios intensos?

Não.

Um dos resultados mais interessantes do estudo foi mostrar que atividades leves e moderadas também estão associadas a benefícios para o cérebro.

Isso significa que pessoas que praticam atividades como:

  • caminhadas;
  • dança;
  • hidroginástica;
  • bicicleta;
  • yoga;
  • Tai Chi;

também podem obter benefícios cognitivos.

O mais importante parece ser manter uma prática regular, respeitando as condições de saúde e a orientação profissional quando necessária.

Existe um exercício melhor para o cérebro?

A revisão mostra que diferentes modalidades podem contribuir para a saúde cerebral.

Entre elas estão:

  • exercícios aeróbicos;
  • musculação;
  • dança;
  • yoga;
  • Tai Chi;
  • exercícios que combinam movimento e desafios cognitivos, como alguns exergames.

Isso sugere que não existe um único exercício ideal para todas as pessoas. A escolha deve considerar preferências, limitações, objetivos e condições clínicas.

Em quanto tempo os benefícios podem aparecer?

Os pesquisadores observaram que programas de exercícios com duração entre um e três meses já apresentaram melhora em diferentes aspectos da cognição.

Naturalmente, manter uma rotina ativa continua sendo importante para preservar esses benefícios ao longo do tempo.

O que essas descobertas significam para a saúde?

Nos últimos anos, a ciência tem demonstrado que o cérebro está profundamente conectado ao restante do organismo.

Controlar fatores como pressão arterial, diabetes, colesterol, qualidade do sono, alimentação e sedentarismo faz parte do cuidado com a saúde cerebral.

Da mesma forma, a atividade física deixou de ser vista apenas como uma estratégia para melhorar o condicionamento físico e passou a ser reconhecida como um componente importante da promoção da saúde cognitiva e do envelhecimento saudável.

Quando procurar orientação médica?

Antes de iniciar um programa de exercícios, especialmente em pessoas com doenças cardiovasculares, neurológicas ou metabólicas, é recomendável realizar uma avaliação médica.

Além disso, sintomas como perda de memória persistente, dificuldade de concentração, alterações do equilíbrio, tonturas ou outros sinais neurológicos devem ser investigados por um profissional de saúde.

A avaliação clínica permite identificar possíveis causas, orientar exames quando indicados e definir a melhor estratégia de acompanhamento para cada paciente.

A importância do cuidado especializado

A saúde do cérebro é influenciada por diversos fatores, incluindo o funcionamento do coração, dos vasos sanguíneos, do metabolismo, da qualidade do sono e dos hábitos de vida.

Por isso, uma abordagem especializada pode ser importante tanto para a prevenção quanto para o acompanhamento de diferentes condições.

Na clínica, os pacientes contam com atendimento em diferentes especialidades que podem atuar de forma complementar conforme a necessidade de cada caso, incluindo:

  • Neurologia, para investigação de alterações cognitivas, cefaleias, distúrbios do movimento e outras condições do sistema nervoso;
  • Cardiologia, para avaliação da saúde cardiovascular e controle de fatores de risco que também podem impactar o cérebro;
  • Endocrinologia, para acompanhamento de doenças metabólicas, como diabetes, obesidade e alterações hormonais;
  • Psicologia, oferecendo suporte para questões relacionadas à saúde emocional, estresse, ansiedade e adaptação às mudanças no estilo de vida.

Cada pessoa é avaliada de forma individual, considerando seu histórico, sintomas e necessidades clínicas.

Exercício físico melhora a memória?

As evidências científicas atuais reforçam que movimentar o corpo também é uma forma de cuidar do cérebro.

A prática regular de atividade física está associada a benefícios para a memória, a atenção, o raciocínio e outras funções cognitivas importantes em diferentes fases da vida. Embora o exercício não substitua tratamentos médicos quando necessários, ele integra um conjunto de hábitos saudáveis que contribuem para a promoção da saúde cerebral e do envelhecimento saudável.

Fonte de referência:

DOI: 10.1136/bjsports-2024-108589