Durante o sono, o corpo se reorganiza: o cérebro processa memórias, o coração desacelera, os hormônios se equilibram e o sistema imunológico se fortalece.
Pesquisas recentes publicadas na revista Nature Medicine (2024) analisaram dados de milhares de pessoas monitoradas por dispositivos como smartwatches e mostraram que padrões de sono irregulares ou insuficientes estão diretamente ligados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e emocionais.
Em resumo: dormir bem é uma das melhores formas de prevenir doenças e promover longevidade.
O sono e o cérebro
O sono é um processo comandado pelo cérebro.
Durante as fases de sono profundo e REM, o sistema nervoso “reinicia” suas funções: o corpo relaxa, as conexões neurais se renovam e a mente se prepara para o dia seguinte.
No descanso profundo, o cérebro “limpa” toxinas acumuladas e reorganiza informações importantes, consolidando a memória e o aprendizado.
Quando o sono é ruim ou interrompido:
- A concentração e a memória diminuem;
- O humor e a estabilidade emocional se alteram;
- Aumenta o risco de ansiedade, irritabilidade e depressão;
- O raciocínio e o tempo de reação ficam mais lentos.
Portanto, dormir bem é essencial para clareza mental, equilíbrio emocional e produtividade.
O papel da Neurologia
O neurologista é o principal especialista médico em sono.
Ele investiga o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso, identificando as causas de distúrbios que comprometem o descanso e a qualidade de vida.
Entre as condições mais comuns avaliadas e tratadas pela neurologia estão:
- Insônia crônica
- Apneia do sono
- Síndrome das pernas inquietas
- Distúrbios do ritmo circadiano (jet lag, troca de turno)
- Sonolência diurna excessiva e narcolepsia
O neurologista também atua na interface entre sono e doenças neurológicas, como enxaquecas, epilepsia, AVC, Parkinson e Alzheimer, em que o sono é frequentemente alterado.
Dormir bem é cuidar do cérebro que comanda todo o corpo.
O sono e o equilíbrio hormonal
Durante o sono, o corpo ajusta a produção de hormônios importantes:
- Melatonina, que regula o ritmo biológico;
- Cortisol, ligado ao estresse e ao metabolismo energético;
- Leptina e grelina, que controlam a fome e a saciedade;
- Insulina, que regula o açúcar no sangue.
Quando dormimos pouco ou de forma irregular, o organismo perde esse equilíbrio, resultando em:
- Aumento do apetite e ganho de peso;
- Risco aumentado de diabetes tipo 2;
- Fadiga crônica e alterações do humor.
O papel da Endocrinologia
O endocrinologista é o médico que estuda os hormônios e o metabolismo.
Ele identifica como o sono interfere na produção hormonal e vice-versa.
Por exemplo:
- A privação do sono aumenta o cortisol (hormônio do estresse) e reduz a leptina (saciedade);
- A irregularidade do sono desregula a insulina, prejudicando o controle glicêmico;
- A melatonina , o chamado “hormônio do sono” , pode estar alterada em casos de insônia e jet lag.
O endocrinologista ajuda a reestabelecer esse equilíbrio, orientando sobre hábitos, hormônios e metabolismo para uma vida mais saudável e equilibrada.
O coração também precisa descansar
Durante o sono, o coração trabalha em ritmo mais leve.
A frequência cardíaca e a pressão arterial diminuem, permitindo que o sistema cardiovascular se recupere.
Quando o sono é de má qualidade:
- A pressão arterial sobe;
- Aumenta o risco de arritmias cardíacas;
- Há maior probabilidade de hipertensão, infarto e AVC.
O papel da Cardiologia
O cardiologista avalia como o sono afeta diretamente o coração.
Distúrbios como a apneia do sono são fatores de risco importantes para hipertensão, insuficiência cardíaca e doenças coronárias.
Com apoio de exames complementares, o cardiologista identifica alterações na pressão e no ritmo cardíaco associadas ao sono, trabalhando em conjunto com neurologistas e endocrinologistas quando necessário.
Por isso, um coração descansado é um coração protegido.
O impacto emocional do sono
O sono e as emoções caminham lado a lado.
Uma noite mal dormida pode gerar irritabilidade, impaciência, ansiedade e dificuldade de concentração.
Por outro lado, o estresse, a preocupação e a ansiedade também atrapalham o sono , criando um ciclo de esgotamento físico e mental.
O papel da Psicologia e Neuropsicologia
O psicólogo atua nas questões emocionais e comportamentais que afetam o sono, como ansiedade e insônia.
A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens mais eficazes, ajudando o paciente a desenvolver rotinas de sono saudáveis.
Já o neuropsicólogo investiga como o sono influencia a memória, a atenção e o funcionamento cognitivo.
Ele também contribui com programas de reabilitação cognitiva, especialmente em pessoas com alterações neurológicas ou demências.
Portanto, dormir bem é cuidar da mente, das emoções e da memória.
Higiene do sono
Dormir bem é mais do que descansar: é manter o cérebro ativo, o coração protegido, os hormônios equilibrados e as emoções estáveis.
Se você tem dificuldade para dormir, acorda cansado ou sente que o descanso não está sendo reparador, procure avaliação médica e psicológica especializada.
Um diagnóstico preciso e um cuidado integrado são o caminho para recuperar o equilíbrio do corpo e da mente com segurança e qualidade de vida.
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Referência do estudo: Zheng NS, Annis J, Master H, et al. (2024) Sleep patterns and risk of chronic disease as measured by long-term monitoring with commercial wearable devices in the All of Us Research Program. Nature Medicine, 30:2648–2656.